REPÚBLICA

República Velha

O início da cotonicultura no Rio Grande do Norte
O algodão na economia seridoense (1880-1915)
A instauração da República no RN: Centralização x Descentralização
Do açúcar para o algodão: a mudança do eixo econômico favorece o interior do estado
Da oligarquia Maranhão à política do Seridó
A Conturbada Década de 30
Antecedentes da Revolução de 30 no RN

A Revolução em curso: a conjugação de forças

As interventorias de Irineu Joffily e Aluísio Moura
Rearticulação oligárquica pós-30
As violentas eleições de 14 de outubro de 1934
Organização sindical no RN, após a Revolução de 1930
A guerrilha do Açu
A Insurreição Comunista de 1935 em Natal
Anos de Chumbo
Os caicoenses mortos pela Repressão Política

Movimento Estudantil em Caicó: política pela liberdade

A política na década e 60 e o Golpe: Aluízio, Dinarte, Djalma Maranhão entre sonhos populares e populistas.

Repressão aos caicoenses opositores do golpe militar
A Década de 70
Agenor Maria : As razões para sua Visibilidade Política

Política partidária entre as décadas de 60 e 70: Maias, Alves e o inesperado Agenor Maria

Jardim do Seridó: uma industrialização diversificada

Rumos da Política potiguar na década de 70
A Evolução Industrial do Rio Grande do Norte: um desenvolvimento proporcionado a partir das necessidades geradas no setor primário
A Rearticulação Oligárquica: A Terceira Via dos Maias (de Cortez Pereira a José Agripino)

Populismo no RN

As estratégias da propaganda política na campanha de 1960: Aluízio Alves X Djalma Marinho

O Populismo no Rio Grande do Norte: a política potiguar entre as décadas de 50 e 60

O uso da música na campanha política de 1960

Articulações políticas para Aluízio Alves ganhar a cena
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A Rearticulação Oligárquica: A Terceira Via dos Maias (de Cortez Pereira a José Agripino)

(por Eduardo de Souza Soares e Josefa Emília de Macedo – alunos do período 2002.1)


Quando se iniciaram os anos 70, o Brasil vivenciou um momento de extrema repressão política. Não fugindo a esse sistema de governo, o RN também se inseriu nesse contexto de grande perseguição tendo em vista que o interior do estado encontrava-se nas mãos de uma grande parcela oligárquica que dava estabilidade política a uma nova classe política dominante que se estruturava no RN com o fim do populismo no estado.

Para que se entenda como se formou uma nova oligarquia política estadual, é necessário que procuremos compreender as causas que favoreceram os partidos políticos restabelecidos no RN, bem como os fatos que levaram à permanência de alguns políticos na vida pública, enquanto que outros desapareceram entre tantos que atuaram nos gabinetes militares de decisão para a escolha de governadores.

É nesse momento em que se dá início ao período dos governadores indicados pelo governo federal, de acordo com os atos institucionais. Cortez Pereira de Araújo, foi indicado como primeiro governador “biônico” do estado pelo então presidente da República Garrastazu Médici em substituição ao atual governador do estado Walfredo Gurgel, inaugurando a nova fase política do RN. A respeito do governo Cortez Pereira, escreve João Batista MACHADO: “O governo de Cortez Pereira foi um dos mais criativos e férteis do RN, com a criação de grandes projetos em vários setores da administração estadual (...) Mas foi também, o governo mais agitado por crises políticas e militares”. (1995, p. 30)

Durante o governo de Cortez Pereira o Brasil vivia o momento do “grande milagre econômico”, implantado pela ideologia do regime ditatorial, que elevava o índice de aceitação da política econômica dos militares, bem como a popularidade do governo do RN. Porém, no final de seu mandato, sua popularidade caiu significativamente devido à participação excessiva de seus familiares no governo. Cortez Pereira governou o RN por 4 anos (1971-1975), tendo sido cassado seus direitos políticos pelo Ato Institucional AI-5.

Com o término do governo de Cortez Pereira, iniciou-se o período da oligarquia Maia na história política do RN, com a escolha de Tarcísio Maia para o governo do estado por indicação do governo militar, na tentativa de se construir um consenso entre os políticos da ARENA local.

Iniciado seu governo, Tarcísio Maia dava início a uma nova forma de governo que se caracterizaria dentro de uma ótica política como “paz pública”, mas, assegura na verdade, a partir daquele momento, um período de extensa permanência da oligarquia Maia à frente do governo do RN, fazendo reformas administrativas sem preocupar-se com os projetos deixados por seus antecessores ou até mesmo de alguns setores situacionistas que lhe causassem suspeita:

“(...) fez um governo (...) afastando-se do radicalismo e convivendo bem com a oposição, que foi praticamente anulada através de um acordo de “Paz Pública” com os Alves, cujo líder maior estava cassado, mas que era dono de meios de comunicação: jornal e rádio. Para atingir seus objetivos políticos, Tarcísio Maia, com habilidade incomum

conseguiu atrair os possíveis rivais, reduzindo suas possibilidades e enfraquecendo-os. E assim, conseguiu impor como seu sucessor seu primo-irmão Lavoisier Maia Sobrinho, com apoio até do MDB”. (Sá apud MARIZ e SUASSUNA, 2001, p. 112)


Iniciado seu governo em 1979, Lavoisier Maia, procurou dar continuidade às idéias políticas de seu antecessor Tarcísio Maia no que se refere à sua capitalização política no RN. Esta foi a razão da grande abertura no quadro do funcionalismo público, que mais tarde resultaria no aumento de seu prestígio político frente às classes populares. Lavoisier Maia além de tentar manter os Maia no governo do estado, tinha missão maior, preparar o caminho político e a viabilização da candidatura de seu sobrinho José Agripino Maia.

Apesar da aparente tranqüilidade de seu governo, enfrentou a abertura política e com ela a greve dos professores da rede estadual de ensino, bem como a uma forte resistência da oposição uma vez que se tinha rompido o pacto de amizade entre os Alves e Maia, como também as disputas das eleições diretas para governador em 1982, tendo seu sobrinho José Agripino Maia, derrotado o principal líder na política estadual Aluízio Alves.

Durante seu governo, viabilizou a construção de casas populares, fundou escolas e construiu postos de saúde em todas as cidades do interior. Possibilitou a chegada aos cofres da Prefeitura de Natal de grandes verbas que deram condições ao prefeito José Agripino de realizar uma administração que o conduziria à vitória eleitoral na campanha para o Governo Estadual.

Para dar continuidade à oligarquia Maia no governo do RN, José Agripino Maia elegeu-se governador, enfrentando uma campanha eleitoral de grande agitação no meio político, tendo em vista, a grande importância do líder populista e ex-governador do estado Aluízio Alves, que retornava à vida pública.

Observa-se que o RN viveu um momento de ascensão contínua da Oligarquia Maia frente ao quadro político do estado. Mas, as eleições de 1986, traziam como candidato apoiado pela oligarquia Maia, João Faustino e, como candidato oposicionista, Geraldo José de Melo, apoiado pela oligarquia Alves. Este último elegeu-se governador do RN, pondo fim à continuidade da oligarquia Maia no governo do estado. Portanto, pela primeira vez em 12 anos seguidos, elegia-se um governador que não pertencia ao grupo dos Maia.

A política partidária não era tão previsível, mesmo em períodos onde a cidadania tinha sido cassada. Agenor Maria que o dissesse, como veremos a seguir.


 

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