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A
Rearticulação Oligárquica: A Terceira
Via dos Maias (de Cortez Pereira a José Agripino)
(por
Eduardo de Souza Soares e Josefa Emília de Macedo
alunos do período 2002.1)
Quando
se iniciaram os anos 70, o Brasil vivenciou um momento de
extrema repressão política. Não fugindo
a esse sistema de governo, o RN também se inseriu
nesse contexto de grande perseguição tendo
em vista que o interior do estado encontrava-se nas mãos
de uma grande parcela oligárquica que dava estabilidade
política a uma nova classe política dominante
que se estruturava no RN com o fim do populismo no estado.
Para que se entenda como se formou uma nova oligarquia política
estadual, é necessário que procuremos compreender
as causas que favoreceram os partidos políticos restabelecidos
no RN, bem como os fatos que levaram à permanência
de alguns políticos na vida pública, enquanto
que outros desapareceram entre tantos que atuaram nos gabinetes
militares de decisão para a escolha de governadores.
É nesse momento em que se dá início
ao período dos governadores indicados pelo governo
federal, de acordo com os atos institucionais. Cortez Pereira
de Araújo, foi indicado como primeiro governador
biônico do estado pelo então presidente
da República Garrastazu Médici em substituição
ao atual governador do estado Walfredo Gurgel, inaugurando
a nova fase política do RN. A respeito do governo
Cortez Pereira, escreve João Batista MACHADO: O
governo de Cortez Pereira foi um dos mais criativos e férteis
do RN, com a criação de grandes projetos em
vários setores da administração estadual
(...) Mas foi também, o governo mais agitado por
crises políticas e militares. (1995, p. 30)
Durante o governo de Cortez Pereira o Brasil vivia o momento
do grande milagre econômico, implantado
pela ideologia do regime ditatorial, que elevava o índice
de aceitação da política econômica
dos militares, bem como a popularidade do governo do RN.
Porém, no final de seu mandato, sua popularidade
caiu significativamente devido à participação
excessiva de seus familiares no governo. Cortez Pereira
governou o RN por 4 anos (1971-1975), tendo sido cassado
seus direitos políticos pelo Ato Institucional AI-5.
Com o término do governo de Cortez Pereira, iniciou-se
o período da oligarquia Maia na história política
do RN, com a escolha de Tarcísio Maia para o governo
do estado por indicação do governo militar,
na tentativa de se construir um consenso entre os políticos
da ARENA local.
Iniciado seu governo, Tarcísio Maia dava início
a uma nova forma de governo que se caracterizaria dentro
de uma ótica política como paz pública,
mas, assegura na verdade, a partir daquele momento, um período
de extensa permanência da oligarquia Maia à
frente do governo do RN, fazendo reformas administrativas
sem preocupar-se com os projetos deixados por seus antecessores
ou até mesmo de alguns setores situacionistas que
lhe causassem suspeita:
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(...)
fez um governo (...) afastando-se do radicalismo e
convivendo bem com a oposição, que foi
praticamente anulada através de um acordo de
Paz Pública com os Alves, cujo
líder maior estava cassado, mas que era dono
de meios de comunicação: jornal e rádio.
Para atingir seus objetivos políticos, Tarcísio
Maia, com habilidade incomum
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conseguiu
atrair os possíveis rivais, reduzindo suas
possibilidades e enfraquecendo-os. E assim, conseguiu
impor como seu sucessor seu primo-irmão Lavoisier
Maia Sobrinho, com apoio até do MDB.
(Sá apud MARIZ e SUASSUNA, 2001, p. 112)
Iniciado
seu governo em 1979, Lavoisier Maia, procurou dar continuidade
às idéias políticas de seu antecessor
Tarcísio Maia no que se refere à sua capitalização
política no RN. Esta foi a razão da grande
abertura no quadro do funcionalismo público, que
mais tarde resultaria no aumento de seu prestígio
político frente às classes populares. Lavoisier
Maia além de tentar manter os Maia no governo do
estado, tinha missão maior, preparar o caminho político
e a viabilização da candidatura de seu sobrinho
José Agripino Maia.
Apesar da aparente tranqüilidade de seu governo, enfrentou
a abertura política e com ela a greve dos professores
da rede estadual de ensino, bem como a uma forte resistência
da oposição uma vez que se tinha rompido o
pacto de amizade entre os Alves e Maia, como também
as disputas das eleições diretas para governador
em 1982, tendo seu sobrinho José Agripino Maia, derrotado
o principal líder na política estadual Aluízio
Alves.
Durante seu governo, viabilizou a construção
de casas populares, fundou escolas e construiu postos de
saúde em todas as cidades do interior. Possibilitou
a chegada aos cofres da Prefeitura de Natal de grandes verbas
que deram condições ao prefeito José
Agripino de realizar uma administração que
o conduziria à vitória eleitoral na campanha
para o Governo Estadual.
Para dar continuidade à oligarquia Maia no governo
do RN, José Agripino Maia elegeu-se governador, enfrentando
uma campanha eleitoral de grande agitação
no meio político, tendo em vista, a grande importância
do líder populista e ex-governador do estado Aluízio
Alves, que retornava à vida pública.
Observa-se que o RN viveu um momento de ascensão
contínua da Oligarquia Maia frente ao quadro político
do estado. Mas, as eleições de 1986, traziam
como candidato apoiado pela oligarquia Maia, João
Faustino e, como candidato oposicionista, Geraldo José
de Melo, apoiado pela oligarquia Alves. Este último
elegeu-se governador do RN, pondo fim à continuidade
da oligarquia Maia no governo do estado. Portanto, pela
primeira vez em 12 anos seguidos, elegia-se um governador
que não pertencia ao grupo dos Maia.
A política partidária não era tão
previsível, mesmo em períodos onde a cidadania
tinha sido cassada. Agenor Maria que o dissesse, como veremos
a seguir.
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