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ISSN -1518-3394  
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V. 10. N. 26, jul/dez 2009

Dossier: Inspiraçõs Atlânticas. Cultura, imagens e representações

SUMÁRIO

Editorial


Portugal democrático e o atlantismo
Miguel de Oliveira Estanqueiro Rocha
Artigo em PDF

Resumo
Com o intuito de analisar a evolução da diplomacia portuguesa, importa analisar as relações histórico-políticas entre Portugal e os Estados Unidos não só durante o período revolucionário, quando as autoridades americanas temeram a implementação de um regime comunista, mas também durante os ulteriores governos constitucionais. Mesmo a adesão portuguesa à Comunidade Europeia, em 1986, não foi encarada, pelos governantes portugueses, como uma ruptura com a sua tradicional política externa de aproximação ao poder atlântico – neste caso, os Estados Unidos, mas como um complemento que valorizaria a tradicional vocação atlântica do país.

Palavras-chave: integração europeia, política externa, poder atlântico


Do sonho à realidade: A construção política da União Europeia. Uma leitura dos manuais de História espanhóis
Clara Isabel Serrano
Artigo em PDF

Resumo
O presente artigo pretende proceder a um levantamento e a uma análise das referências, mas também das não referências, relativas ao processo de construção política da União Europeia, tal qual ele é projectado e veiculado pelos manuais de História de Espanha, dentro do nível que podemos considerar genericamente como sendo o do ensino secundário. Assim, procuraremos analisar o processo de construção política da União Europeia, tendo sempre em vista o realçar dos seus aspectos mais significativos e a reflexão e a problematização, em simultâneo, sobre várias questões de importância extrema.

Palavras-chave: União Europeia; construção política; manuais escolares.


As regiões ultraperiféricas portuguesas: Discurso político e imprensa regional
Isabel Maria Freitas Valente
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Resumo
O conceito de Ultraperiferia aplica-se aos Açores e Madeira (Portugal), aos quatro Departamentos Franceses ultramarinos (Guadalupe, Guiana, Martinica, Reunião), e às Ilhas Canárias (Espanha). A Ultraperiferia foi pela primeira vez abordada no Conselho Europeu de Rodes, em 1988. Procuraremos analisar de que forma esta realidade ultraperiférica se traduziu no discurso político e que ecos teve na imprensa portuguesa, muito concretamente na imprensa regional.

Palavras-chave: Ultraperiferia, Madeira, Açores, discurso político, imprensa.


Inspirações atlânticas e imagens brasileiras na representação de Cabo Verde
Víctor Barros
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Resumo
Com o presente título pretendemos fazer um breve diagnóstico sobre a forma como o Atlântico, enquanto espaço e extensão marítima, subjaz ao próprio enredo que possibilitou a construção e a “invenção” colonial de Cabo Verde e a articulação deste com o Brasil. Nesta sequência, procuraremos inquirir sobre a problemática da circulação de ideias que, por referência ao Brasil, permitiu imaginar uma forma de representação de Cabo Verde (entre 1930 e 1950), tanto através da tentativa articulação com Portugal (enquanto Metrópole) como também com o Atlântico (enquanto palco que possibilitou o trânsito que estruturou as relações de poder em tempo de colonização).

Palavras-chave: Atlântico, Cabo Verde, Brasil.


“Feitiço do Homem Branco”: Ruptura e continuidade na concepção de “feitiço” nos diários de viagem de António Brandão de Mello (1909-1915)
João de Castro Maia Veiga Figueiredo
Artigo em PDF

Resumo
Recorrendo aos diários de viagem de Brandão de Mello, este artigo pretende apresentar alguns dados sobre a história do conceito de feitiço em Angola, expondo a perspectiva de um autor que viveu num período de forte mudança nesta ex-colónia portuguesa. De forma a perceber como é que práticas semelhantes às de Brandão de Mello são assimiladas pelos sistemas de crenças locais, e uma vez que este nos seus textos não permite que seja ouvida a outra parte do diálogo cultural que provoca, analisa-se de seguida uma das obras principais de Óscar Ribas.

Palavras-chave: Feitiço, Brandão de Mello, Óscar Ribas.


Manuel Joaquim Henriques de Paiva: Um luso-brasileiro divulgador de ciência. O caso particular da vacinação contra a varíola
João Rui Pita
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Resumo
Manuel Joaquim Henriques de Paiva é uma figura relevante da medicina e da ciência luso-brasileira, boticário, bacharel em filosofia e médico, Henriques de Paiva, após uma breve passagem pela Universidade de Coimbra fixou-se em Lisboa para exercer medicina. Muito preocupado com as questões da divulgação do saber médico e científico, preocupado em instruir a população em termos sanitários, Henriques de Paiva legou-nos uma vasta obra escrita que retrata bem essas inquietações. A política não lhe foi indiferente. Participou em diversas iniciativas em Portugal e, compulsivamente, foi para o Brasil onde participou no movimento da independência da antiga colónia portuguesa. É objectivo deste artigo traçar uma breve biografia de Henriques de Paiva, sublinhando a sua faceta de difusor científico, e estuda-se com pormenor a sua obra pioneira na introdução da vacinação em Portugal — o Preservativo das bexigas.

Palavras-chave: Manuel Joaquim Henriques de Paiva; varíola; vacinação.


Mulheres para muito além do figurino: As divorciadas dos séculos XVIII e XIX
Ubirathan Rogério Soares
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Resumo
Este artigo apresenta uma análise construída a partir do estudo empírico com objetivo final de discutir o processo de secularização presente nas rupturas dos relacionamentos matrimonial no Rio Grande do Sul, entre 1766 e 1890. O texto expõe alguns processos de divórcio impetrados por mulheres vivendo no interior do estado. Esses atos revelam questões sobre formação, constituição e desenvolvimento da sociedade gaúcha, que apresentam maior visibilidade nas pequenas localidades. Mostram mais significativamente as estruturas da sociedade rural tradicional, onde se constrói o sistema de Alianças patrimoniais, e a ultrapassagem deste sistema para o casamento como local de construção do regime da sexualidade, típico das sociedades atuais.

Palavras-chave: História; sexualidade; sociedade tradicional; relações conjugais; divórcios.


O Senado da Câmara de Natal: O escrivão e o registro dos tempos coloniais
Thiago Alves Dias
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Resumo
No início do século XVI, estabeleceu-se em todas as possessões lusitanas o sistema de governo municipal através das Câmaras. Na Capitania do Rio Grande, somente após a expulsão dos holandeses e a restauração do poder lusitano em 1659, o Senado da Câmara de Natal estabeleceu-se como o órgão administrador oficial a serviço da metrópole. Em nome do Rei e do ‘bem comum do povo’ (leia-se, da ordem cotidiana), os homens que compunham esse Conselho reproduziram o poder metropolitano, lançando posturas, legislando, punindo e controlando os colonos através de seus dispositivos diversos. Munidos do aparato civil e jurídico português, ensejado nas Ordenações Filipinas e nos inúmeros decretos, alvarás e leis expedidos pelo Reino, esses ‘homens bons’ permitiram a perpetuação do poder reinol nas mais distantes localidades do Império. Responsável por tudo tomar nota, o escrivão, único funcionário camarário pago por seus serviços especializados e com cargo vitalício, permitiu a perpetuação daquilo que era discutido e acordado dentro das Casas de Câmara. Nesse sentido, esse trabalho pretende analisar, a partir dos manuscritos coloniais existentes atualmente no arquivo do IHGRN, quais documentos são estes, atentando para sua tipologia, relevância histórica e tipos de apropriação temática que os historiadores e demais cientistas das humanidades podem realizar.

Palavras-chave: Senado da Câmara, escrivão, IHGRN, fontes.


 
referência

Mneme - Revista de Humanidades - Publicação do Curso de História da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Ensino Superior do Seridó, Campus de Caicó. Caicó, vol. 10, nº 25, jan/jun 2009. Semestral . ISSN 1518-3394

 
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