Caicó
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Poço
de Sant‘Ana de Caicó: História e Mitos de Origem
Por
Olívia Morais de Medeiros Neta
Poço de Sant'Ana Imagem: Xico Brito Poço
de Sant‘Ana de Caicó:
História e Mitos de Origem
Por Olívia Morais de Medeiros Neta
Apesar
das diferentes versões míticas, a fundação de Caicó emerge com referências
e protagonistas comuns: o vaqueiro, o touro, um poço e Sant’Ana. O imaginário
local teceu-os em um belo roteiro elaborado coletivamente. Uma
das interpretações dá conta de que no sertão seridoense possivelmente
existiu a
tribo dos Caiacós que, mesmo derrotada nas Guerras dos Bárbaros, julgava-se
invencível pelo amparo de Tupã, espírito encarnado em um touro bravio, que
habitava um mofumbal que se espalhava sobre o local onde hoje é a cidade. Um
vaqueiro que se embrenhara no mofumbal depara-se com o bravio touro tapuia.
Vendo-se em perigo, o vaqueiro recorreu a Sant’Ana prometendo-lhe erigir uma
capela se ela o salvasse do animal possesso. Atendido
o pedido, o vaqueiro iniciou a construção do templo. Era um ano de grande
seca, e a única forma de abastecimento de água era um poço às margens do Rio
Seridó. Diante da escassez de água, o vaqueiro fez nova promessa a Sant ‘Ana
para que o poço não secasse. Daí em diante, o local passou a ser conhecido
como Poço de Sant’Ana. Outros
mitos narram a existência de mais seres fantásticos. Em um deles uma bela
sereia que habita o fundo do Poço sairia ao pôr-do-sol para pentear sua longa
cabeleira nos lajeiros que emolduram a porção d’água. Um
mito mais dramático complementa o combate entre Tupã e o vaqueiro, contando
que o espírito do deus índio, ao ser expulso do touro, teria tomado a forma de
uma serpente gigante que se abriga nas águas do poço, ameaçando destruir a
cidade se algum dia o poço secasse, ou se o rio transbordasse e as suas águas
atingissem o altar-mor da igreja matriz. Eivado
pelo imaginário mestiço da região, o Poço de Santa’Ana foi por muitos anos
a principal fonte de abastecimento de água para a cidade, fosse para fins domésticos
ou de construção. O
lugar decantou também a enérgica resistência popular quando em Caicó um
grupo de pessoas, na revolta ”Quebra-Quilos”, em 1873, contra a adoção do
sistema métrico-decimal no Império, atirou ao poço quilos de pesos metálicos. Atualmente
o Poço de Sant’Ana encontra-se poluído e quase assoreado, reclamando uma ação
que salve sua fauna e flora reais e fantásticas. Localização:
Rio Seridó |